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Conceito, História e Desenvolvimento da Urologia

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        A Urologia é uma especialidade médico-cirúrgica que estuda e trata as doenças do aparelho urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra) e do aparelho sexual masculino (testículos, pênis, próstata e anexos). Foi das primeiras disciplinas a individualizar-se da cirurgia geral, devido: 
          - À especificidade das suas técnicas de diagnóstico e terapêutica, como a endoscopia e a radiologia; 
          - Às particularidades de algumas das suas cirurgias, particularmente da próstata e das vias urinárias.
          A Urologia está intimamente relacionada com outra especialidade médica de aparecimento mais recente: a Nefrologia, que estuda e trata as doenças não cirúrgicas do rim e a insuficiência renal. 
          Desde os primórdios que se conhece a existência de patologia urinária, através de testemunhos perenes - as pedras urinárias descobertas em múmias egípcias e junto a numerosos esqueletos e vestígios de civilizações da antiguidade - e de alguns relatos posteriores à descoberta da escrita. 
          Também desde tempos muito antigos que se sabe haver prática de atos cirúrgicos urológicos, sobretudo ao nível dos genitais, por motivos religiosos (circuncisão), de justiça (castração), ou com intuitos terapêuticos (sondagem da bexiga de que os hindus foram os pioneiros, punção da bexiga com agulhas como faziam os chineses, litotomia por talha - extracção da pedra da bexiga - como já praticavam os Assírios e os Gregos). 
          Na Idade Média, a Medicina, como muitas outras atividades, viveu em letargia; apesar disso, nessa época, a medicina árabe, com Avicena e Averroes, atingiu o seu apogeu, com reflexos também nas doenças urinárias, e no campo da primitiva urologia européia, cirurgiões-barbeiros itinerantes, especializados na extração de pedra da bexiga - os litotomistas -, fizeram história ao tratarem reis e nobres.
          O Renascimento relançou a importância da Anatomia, com Vesálio (séc. XVI) e da prática da Cirurgia, com Ambroise Paré (séc. XVI), assim como a renovação da Medicina clássica de Hipócrates e Galeno, com Paracelso (séc.XVI). Os séculos XVII e XVIII trouxeram avanços significativos na medicina, e, obviamente a Urologia, ainda não especializada, beneficiou destes avanços importantes do pensamento e experiência humanas. Em termos cirúrgicos mantinha-se a cirurgia externa dos genitais, a sondagem da bexiga e a litotomia vesical, na sequência da já significativa experiência anterior, e iniciou-se, com o desenvolvimento das doenças venéreas e das suas sequelas - os apertos da uretra -, a exploração e dilatação da uretra com Amato Lusitano no século XVI, que atingirá o auge no século XIX, com Beniqué e Guyon. 
          É no início do século XIX que, conjuntamente com a manipulação instrumental da uretra com Beniqué, se inicia a endoscopia da uretra e da bexiga com Lewis, Desormeaux e Ficher. Havia contudo sérios problemas de iluminação nestes primitivos aparelhos, e só no fim do século, após a utilização da eletricidade, Max Nitze (1877) efectuou com qualidade uma cistoscopia com um aparelho de lâmpada incandescente. É de realçar este primeiro acesso à observação dos orgãos do interior do corpo e a enorme importância deste passo no diagnóstico das doenças do baixo aparelho urinário - uretra e bexiga. No fim do século XIX outro importante passo foi dado para o diagnóstico das doenças do alto aparelho urinário, nomeadamente dos rins, com Albarran, que, ao descobrir uma "unha" móvel adaptável ao cistoscópio que orientava e permitia a introdução ascendente de tubos - cateteres - para os ureteres e rins. 
          Entretanto, com a descoberta dos RX por Roengten (1895) e com o subsequente desenvolvimento da Radiologia, foi dado outro passo fundamental no diagnóstico médico em geral e no diagnóstico urológico em particular. A visualização do aparelho urinário com sondas e cateteres e com produtos opacos aos RX introduzidos através desses tubos (Chevassu, início do século XX), a contrastação das artérias renais através da injecção na aorta - aortografia (Reynaldo dos Santos, 1929) -, e sobretudo a visualização da árvore excretora urinária por produtos injectados por via intravenosa - a urografia ou pielografia intravenosa (Rowntree, 1923, Von Litchenberg, 1929) -, foram marcos fundamentais para o esclarecimento da anatomia e funcionamento patológicos e para o diagnóstico das doenças do aparelho urinário. 
          Todos estes avanços no campo do diagnóstico foram acompanhados por progressos a nível da terapêutica, nomeadamente da Cirurgia, com a introdução da antissepsia e da assepsia (Lister, 1869; Pasteur, 1864) e o desenvolvimento da anestesia (Morton, 1846 - éter; Simpson, 1848 - clorofórmio; Riggs - protóxido de azoto), o que permitiu a efectivação da primeira nefrectomia em 1869, por Simon, e da primeira prostatectomia em 1900, por Freyer. No entanto, é a partir do 2º quarto do século XX que a Medicina, e sobretudo a Cirurgia, tomam novos impulsos com os antibióticos, (penicilina: Flemming, 1929), mas também com os corticóides, e a hemoterapia e medicina transfusional. O desenvolvimento de novas técnicas de cirurgia reparadora é então possível, por oposição à cirurgia tradicional de exérese ou de drenagem. O aperfeiçoamento das correntes diatérmicas, de solutos assépticos não condutores de electricidade, e de aparelhagem óptica sofisticada, permitiu o desenvolvimento da cirurgia endoscópica da próstata e da bexiga, tipo de cirurgia essa durante muito tempo apanágio da Urologia. 
          Nos tempos actuais desenvolveram-se, para além de aspectos fundamentais em ciências básicas, novos meios sofisticados de diagnóstico e terapêutica. Técnicas computadorizadas de imagem: ultrasonografia ou ecografia, tomografia axial computadorizada (TAC), ressonância nuclear magnética (RNM), angiografia digital e doppler, isótopos radioactivos; métodos analíticos, imunológicos e patológicos de diagnóstico; meios instrumentais sofisticados de urodinâmica; novos meios de diagnóstico e terapêutica endoscópica e "laser", como a endourologia (ureterorenoscopia, cirurgia percutânea), a laparoscopia e cirurgia laparoscópica, e a litotripsia interna e externa por ondas de choque; controle da infecção, com vacinas e antibióticos de novas gerações; novas técnicas de reanimação em cirurgia; progressos na cirurgia reparadora e na implantação de próteses; avanços muito importantes na diálise, rim artificial e transplantação de orgãos, com imunocontrole; desenvolvimento significativo na terapia do cancro, com a radioterapia, a quimioterapia, a imunoterapia e a terapia genética; etc.            Também os avanços significativos nas tecnologias de informação e comunicação, com destaque para a Telemática e Internet estão a revolucionar a Medicina, a Cirurgia e a Urologia. 
          Após todo este caminho percorrido pela Urologia, desde os litotomistas aos manipuladores da uretra e da bexiga, aos cirurgiões de exérese, desde os primeiros endoscopistas aos cirurgiões de reparação do aparelho urinário e aos endourologistas, em que a especialidade é eminentemente cirúrgica, constata-se que, paradoxalmente, a tendência da urologia atual é cada vez menos cirúrgica e menos invasiva. Investigação científica apurada e técnicas sofisticadas trabalham para vencer os grandes desafios do futuro: a prevenção da doença urológica, o diagnóstico precoce, o tratamento tanto quanto possível conservador utilizando a "evidência científica" e meios técnicos cada vez mais aperfeiçoados, a reabilitação cuidadosa.

          A Urologia de hoje, e cada vez mais no futuro, comporta já subespecialidades que a numerosa e sofisticada tecnologia impõe, por exemplo:
          - Urologia Oncológica: estuda e trata os tumores relacionados ao aparelho urinário.
          - Andrologia: estudo do aparelho genital masculino (impotência, infertilidade, etc...)
          - Neurourologia: estudo das desordens miccionais. 
          - Uroginecologia: estudo da incontinência urinária e outras desordens do trato urinário feminino
          - Urologia Pediátrica
          - Transplantes Renais
          - Endourologia e etc...

          Em resumo, a urologia sofre mudanças rápidas, sendo uma das áreas medicas que mais sofreram transformações na ultima década, e por isso requer um continuo aprendizado teórico-pratico do urologista.

 

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